Segundo dia em Sarajevo. Quando acordamos e olhamos pela janela vemos um enorme lençol branco. Aparentemente nevara durante grande parte da noite, e por isso era impossivel esconder a vontade de ir la fora e continuar a batalha "neval" (ok, piada seca...). Seja como for, esta manha reservava um programa bastante interessante: Sarajevo no pos-guerra. Iamos ver com os nossos proprios olhos alguns dos marcos da cidade no que se refere aos conflitos que aqui se fez viver.
Começamos pelo Tunel de Sarajevo. Este fora construido aquando do cerco das tropas servias a esta cidade. Sarajevo encontrava-se completamente cercada, e a Servia esperava que sem hipotese de abastecer a capital nao restasse outra soluçao a Bosnia que render-se. A soluçao encontrada pela populaçao de Sarajevo foi escavar um tunel que passaria por baixo do aeroporto e que ligaria a cidade ao resto do pais. O tunel em si nao tem nada de especial. Nao e mais do que um tunel. Mas ao ver um video com imagens da guerra nao e possivel ficar indiferente. Pessoas a serem alvejadas sem qualquer hesitaçao, habitaçoes a serem bombardeadas, tanques e militares a invadirem as ruas, um numero infimo de carros a circularem, mas a uma velocidade estonteante de forma a nao serem alvejados. Por natureza estas imagens ja seriam chocantes. Estar no mesmo local onde tudo aconteçeu tornou tudo ainda mais arrepiante. Apos a visita ao tunel, uma vista geral sobre a cidade. Passeamos de autocarro pelas colinas e vimos uma cidade lindissima, de uma dimensao estonteante, e o facto de estar coberta de neve tornou tudo ainda mais magico. Mas nem tudo era belo. Passamos ao lado desses mesmos edificios que eram bombardeados e atacados sem qualquer pudor. Nao da para descrever aquilo que se sente quando se passa ao lado de predios com inumeros buracos nas paredes. Sao o resultado das milhares de balas que foram disparadas contra os mesmos. La dentro, ha 10 anos, pessoas viviam como se nada se tratasse. Nao tinham outra hipotese. Esperavam apenas que nenhuma fosse forte o suficiente para perfurar o betao e atingi-las.
Esta foi uma das melhores visitas que ja tive, sem qualquer duvida. Choca, arrepia e perturba. Mas mostra-nos um mundo que nao so nao e cor-de-rosa, como e o mundo real em muitos locais.
A tarde, tempo livre. Seria a ultima tarde em Sarajevo e queriamos ter aquela mesma vista do centro da cidade que tiveramos na noite anterior. Pelo caminho a neve "obrigava-nos" a umas pequenas lutas, e ja no topo de uma colina estavamos exaustos e muito molhados :P. Encontramos um miradouro com uma vista extraordinaria sobre a cidade. Para mim, a melhor! Alguns momentos a contemplar tal beleza e a neve chamou-nos para mais brincadeira. Mais uma luta e desta vez por a prova as nossas capacidades artisticas. Nao poderia faltar o boneco de neve ;).
Ao final da tarde regressamos ao centro, e a vontade de beber um chocolate quente falou mais alto. Bem, soube mesmo que nem nozes!!! Encharcados, com frio e cansados. Quando entramos num cafe quentinho e bebemos o chocolate quente sentimo-nos no ceu. Daqueles pequenos prazeres que nos fazem apreciar esse dia mais do que qualquer outro.
No domingo era dia de voltar, e la passamos uma tarde inteira de regresso a Ljubljana dentro do autocarro... Aborrecido? Sem duvida alguma! Ja nao tinha posiçao para me sentar... Mas tudo valeu a pena para conhecer Sarajevo e um pouco da historia deste pais. Estes dias foram uma junçao de alegria e tristeza, de brincadeira e reflexao. Agridoce. Mas um agridoce positivo, que nos faz ponderar na nossa situaçao, como por vezes somos afortunados, e que nos faz pensar como neste mundo nao existe um mundo so. Existem varios.
PS: Colocarei as fotos mais tarde, espero que ainda hoje ;).
Há 8 anos
2 comentários:
Fiquei com vontade de conhecer esse pedacinho de História :) Sr. Jornalista, cada vez está a escrever melhor :)
Que coisas bonitas e poéticas o sr anda a escrever.
fiquei cheia de vontade de ir aí. Preciso de ir viajar rapidamente. Preciso dessa gasolina.
e eu que nunca vi neve, ao ler este relato fiquei a sentir-me como aquelas pessoas do alentejo ou de trás-os-montes que nunca viram o mar.
Enviar um comentário